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Pólo Químico de Estarreja ganha competitividade mundial
 

UM INOVADOR PROJECTO DE AMPLIAÇÃO DO PÓLO QUÍMICO DE ESTARREJA PERMITIU DUPLICAR A CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DA CUF – QUÍMICOS INDUSTRIAIS, QUE ESTÁ CADA VEZ MAIS PERTO DE CUMPRIR O OBJECTIVO DE SE TORNAR UM DOS CINCO PRINCIPAIS OPERADORES DO SEU SECTOR DE ACTIVIDADE NA PENÍNSULA IBÉRICA. AO INVESTIMENTO DE 125 MILHÕES, JUNTOU-SE IGUAL VALOR INVESTIDO PELA DOW PORTUGAL E AIR LIQUIDE, NUM PROJECTO DE INTERDEPENDÊNCIA QUE VIABILIZA O CRESCIMENTO DO NEGÓCIO A LONGO PRAZO

CUF REFORÇA PRODUÇÃO

A construção de novas fábricas e novos tanques de armazenagem permitiu a reconversão tecnológica e a duplicação de capacidade na CUF em Estarreja. José Sócrates inaugurou o renovado complexo químico a 8 de Julho

“É com investimentos deste tipo que se combate a crise e se constrói um país melhor, em que a confiança é a palavra-chave para o futuro. Não há nenhuma situação de crise que possa ser enfrentada sem confiança em nós próprios, no país, e nas nossas capacidades para resolver os problemas.” Foi assim que o primeiro-ministro, José Sócrates, se referiu, no dia 8 de Julho, ao investimento conjunto de 250 milhões de euros que a CUF, a Dow e a Air Liquide fizeram para duplicar a capacidade produtiva do Pólo Químico de Estarreja. “Este é um momento vital para o Pólo Químico mas é também um momento vital para a nossa economia, que precisa de ver a sua indústria de base química como uma indústria pujante, moderna, qualificada e competitiva”, realçou o primeiro-ministro na cerimónia de inauguração de Julho último.

As palavras de José Sócrates assentam que nem uma luva no projecto que, durante mais de um ano, ampliou e modernizou as capacidades produtivas da CUF – Químicos Industriais (CUF-QI) em produtos químicos de base, sejam produtos orgânicos, como a anilina e derivados, sejam inorgânicos, como o cloro-álcalis. Só a CUF investiu neste projecto 125 milhões de euros, que lhe permitem acompanhar as necessidades de matérias-primas agora aumentadas por parte dos parceiros, que também investiram na ampliação da sua produção.

Com efeito, todo o projecto de ampliação do Pólo Químico de Estarreja assentou num contrato de longo prazo, negociado a 15 anos, na qual a CUF-QI vê assegurado o total escoamento da sua produção à Dow Portugal.

Localizada no mesmo complexo industrial, a Dow Portugal é uma empresa subsidiária da multinacional química Dow Chemicals Company e a sua produção é assegurada graças ao fornecimento, por parte da CUF-QI, de anilina, cloro e soda cáustica. No final do processo, a Dow devolve gás clorídrico à CUF-QI, que o comercializa no mercado ibérico. O investimento de 65 milhões de euros que a Dow realizou neste projecto tem também um impacto significativo em indústrias que dependem da sua produção, nomeadamente as indústrias de isolamentos, refrigeração, revestimentos, adesivos, vedantes e elastómeros.

Por seu lado, a Air Liquide investiu em Estarreja mais 60 milhões de euros na construção de uma nova unidade, que também lhe permitirá duplicar a produção. Recorrendo a tecnologia de ponta de conversão de gás natural em hidrogénio e monóxido de carbono, a Air Liquide consegue maximização a eficiência do seu processo de produção. Com uma clara e assumida interdependência no seu funcionamento, as três empresas desenvolveram conjuntamente todo o projecto de ampliação do Pólo Químico de Estarreja, suportando as suas decisões no benefício tripartido que esta duplicação de produção garante a todas as partes envolvidas.

Valorizar os recursos humanos
“Esta aposta nunca esteve em causa porque estávamos certos de que o futuro nesta actividade é risonho”, alegou João de Mello, presidente daCUF, na cerimónia de inauguração de 8 de Julho. Apesar da crise que atingiu os mercados financeiros e que teve algum impacto negativo no   mercado químico internacional, João de Mello confirma que “tínhamos capacidade para fazer o investimento e acreditámos que era boa altura para o fazer”.

O presidente da CUF não esqueceu o impacto económico e social que o projecto tem na região geográfica em que se insere. “Este investimento reforça a criação de emprego e a manutenção de emprego aqui na zona de Estarreja. Porque não são só estas três unidades, mas também uma panóplia de pequenas e médias empresas que gravitam aqui à volta e tornam possível este pólo industrial”, destacou João de Mello. Só na CUF trabalham directamente 157 pessoas. A CUF-QI funciona em regime de laboração contínua, sete dias por semana, em três turnos, com paragens programadas de dois em dois anos.

A qualificação dos recursos humanos assume uma importância significativa para a CUF e, prova disso, é o facto de a empresa ter recorrido em grande parte a engenharia própria para conceber as novas unidades de produção orgânica de anilina.

Mais de uma dezena de engenheiros da CUF foram chamados a participar neste processo, que incluiu também a participação de desenhadores projectistas, técnicos de engenharia e especialistas da área de controlo financeiro.

A CUF quer ser reconhecida internacionalmente no fabrico de produtos da fileira do MDI/Poliuretanos e esse reconhecimento deverá ficar a dever-se não só à sua capacidade produtiva, agora ampliada, mas também à grande competitividade e tecnologia própria que o grupo consegue sustentar.

Duplicar a produção
Dividida em dois grandes sectores de produção, a CUFQI sofreu um processo de ampliação integrado, que abrangeu os dois sectores: a produção de anilina e derivados e a produção de cloro-álcalis.

Antes da ampliação, o sector de produção de anilina e derivados era composto por quatro fábricas: uma de ácido nítrico, outra de nitrobenzeno, uma terceira fábrica de anilina e recuperação de ciclohexilamina e outra ainda de ácido sulfanílico. O investimento realizado em 2007 e 2008 permitiu a instalação de uma nova fábrica de ácido nítrico, com capacidade para produzir 196 566 toneladas anuais. Recorrendo a tecnologia que garante uma eficiência energética mais satisfatória, a construção da nova fábrica permite desactivar a velhinha fábrica de ácido nítrico e reforçar amplamente a capacidade produtiva da CUF.

Já nas fábricas de nitrobenzeno e de anilina, a grande mudança é visível no incremento da produção. Só a fábrica de nitrobenzeno vê a sua produção anual praticamente duplicar, já que a capacidade anual de 175 000 toneladas sobe agora para as 300 000 toneladas anuais. E uma vez que o nitrobenzeno é usado na produção de anilina, este aumento de produção tem impacto directo na fábrica de anilina, que consegue intensificar a sua produção anual de 131 000 toneladas para as 224 000 toneladas anuais.

Armazenagem reforçada
Uma das grandes novidades na cadeia produtiva deste sector da CUF-QI estará na eliminação do processo de incineração de dois compostos químicos. Graças à instalação de uma coluna de destilação, a CUF passa a recuperar o ciclohexanol e a ciclohexanona alternadamente com a recuperação da anilina e ciclohexilamina, o que elimina por completo o efluente leve da fábrica de anilina a incinerar.

A armazenagem foi também uma das áreas que requereu uma intervenção integrada neste projecto, já que era impossível aumentar cargas produtivas sem proceder a aumentos da capacidade de armazenagem da produção.

Assim, foram previstos reforços na armazenagem de ácido nítrico, de mononitrobenzeno e de ciclohexanol, o que obrigou à construção de dois novos tanques de ácido nítrico, um tanque de mononitrobenzeno e um tanque de ciclohexanol.

A pensar no futuro
O sector de produção de cloro-álcalis, onde é assegurada a produção de cloro, soda cáustica a 50%, hidrogénio e produtos derivados, era anteriormente composto por uma unidade de electrólise de cloreto de sódio, uma fábrica de ácido clorídrico, uma unidade de liquefacção de cloro, uma fábrica de hipoclorito de sódio e uma unidade de soda sólida. O novo projecto previu, desde logo, o aumento da capacidade da fábrica de ácido clorídrico, que funciona com gás clorídrico fornecido pela Dow Portugal. Assim, foi instalado um absorvedor e um arrefecedor do ácido produzido, uma vez que a CUF-QI não tem capacidade para absorver todo o gás que a Dow produzirá após a ampliação da sua própria capacidade de produção.

A nova instalação será destinada à produção máxima anual de 96 400 toneladas de ácido clorídrico a 100%. Mas o aumento da capacidade da unidade de absorção de ácido clorídrico obrigou também à instalação de uma nova unidade de purificação, constituída por dois filtros de carvão activado. Em paralelo, foi necessário construir uma nova unidade de síntese de ácido clorídrico, que garantirá eventuais interrupções no fornecimento da Dow.

Mas as alterações neste sector não ficaram por aqui. A CUF decidiu também instalar uma unidade de electrólise de ácido clorídico destinada à produção de cloro e hidrogénio por electrólise, com células de diafragma, de uma solução a 20% de ácido clorídrico. Foi, ainda, alterada a unidade de liquefacção de cloro, até então composta por duas linhas de 120 toneladas diárias de cloro gasoso, sendo agora instalada uma terceira linha com capacidade para 240 toneladas diárias. Na sequência deste investimento, uma das linhas antigas ficará a funcionar como reserva da outra.

Ampliar a capacidade de produção foi também o objectivo da intervenção realizada na fábrica de hipoclorito de sódio. Esta unidade produz hipoclorito de sódio em condições de ser comercializado e absorve todas as correntes de desgasificação que contêm cloro. Aqui, a intervenção consistiu, basicamente, na substituição de alguns componentes por outros com maior capacidade.

 

AMPLIAÇÃO DA CUF-QI

Sector de produção de anilina e derivados
- Instalação de uma nova fábrica de ácido nítrico
- Aumento da capacidade de produção da fábrica de nitrobenzeno
- Aumento da capacidade de produção da fábrica de anilina
- Instalação de uma unidade de recuperação de ciclohexanol
- Construção de dois novos tanques de ácido nítrico (capacidade passa de 2 550 t para 4 250 t)
- Construção de um tanque de mononitrobenzeno (capacidade passa de 1 280 t para 2 100 t)
- Construção de um tanque de ciclohexanol de 40 t

Sector de produção de cloro-álcalis
- Aumento da capacidade da fábrica de ácido clorídico
- Instalação de uma unidade de electrólise de ácido clorídico
- Alteração na unidade de liquefacção de cloro
- Alteração da actual fábrica de hipoclorito de sódio
- Redimensionamento da Instalação de Absorção de Emergência
- Aumento da capacidade instalada de água refrigerada, água gelada e rede de azoto
- Aumento da capacidade de armazenagem de sal

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