O ano de 2010 marca o início de actividade da Brisa Inovação e Tecnologia,
empresa que nasce da fusão da Direcção de Inovação e Tecnologia com a Brisa
Acess Electrónica Rodoviária. Cerca de 80 colaboradores vão dar seguimento a uma
carteira com mais de uma centena de projectos em curso.
Os clientes Via Verde que atravessam a Ponte da Lezíria, pela A10, já se
aperceberam de que as faixas centrais da praça da portagem foram convertidas em
corredores Via Verde mas diferentes dos convencionais. As novas câmaras
instaladas nos pórticos que ombreiam as faixas de rodagem captam a informação do
dispositivo de Via Verde a qualquer velocidade, dispensando o abrandamento do
veículo à passagem pela praça de portagens. Assim, é possível agilizar o
escoamento de tráfego em estradas com elevada propensão de congestionamento.
O projecto tem vindo a ser testado com êxito na A10 e na A17, estradas
habitualmente pouco movimentadas e, em breve, a experiência deverá ser alargada
às praças de portagens de Ermesinde e da Maia. Este novo conceito de Via Verde,
internamente designado free flow, é apenas um dos muitos projectos que integram
a carteira da Brisa Inovação, empresa que nasce da fusão da direcção de Inovação
e Tecnologia com a Brisa Access Electrónica Rodoviária.
Agora a funcionar como empresa autónoma, a Brisa Inovação mantém a aspiração
de manter o nome Brisa como uma referência internacional em tecnologia de
portagens e telemática. “Seremos a lebre que apoia a Brisa no seu projecto de
internacionalização, conferindo prestígio e proporcionando inovação tecnológica
que mereçam o reconhecimento à escala global, ao mesmo tempo que trabalhamos
para reduzir os custos de operação e para conseguir ganhos de escala através da
instalação das nossas tecnologias noutras auto-estradas”, explica Jorge Sales
Gomes, presidente da comissão executiva da nova empresa da Brisa.
Para trás ficam oito anos de integração de projectos como este no seio da
Brisa e cujo índice de sucesso justificou a criação de uma empresa autónoma.
Jorge Sales Gomes recorda um dos primeiros projectos nascidos no seio deste
grupo de trabalho, que permitiu a instalação de tecnologia própria nos
equipamentos de leitura dos corredores Via Verde. “Até então estávamos
totalmente dependentes de uma empresa norueguesa, que nos fornecia essa
tecnologia, mas a nossa investigação permitiu-nos criar uma tecnologia mais
avançada, que culminou com a migração de todos os equipamentos da rede Brisa nos
anos 2004 e 2005”, recorda Jorge Sales Gomes. “A partir daí, a empresa
norueguesa tornou-se nossa parceira, sendo hoje um dos vários fornecedores de
componentes para a construção dos equipamentos onde implementamos a nossa
tecnologia”, acrescenta o gestor da Brisa Inovação.
Nessa altura, a Brisa passou a gerir todo o processo produtivo, numa fábrica
virtual, que concentrava a produção de várias empresas portuguesas. A redução de
custos foi substancial e o orgulho na tecnologia desenhada dentro de casa foi
crescendo, alimentando a vontade de continuar a fazer mais e melhor.
Prevenção de acidentese fraudes
Com o tempo, a equipa foi explorando novas áreas na tecnologia de portagens,
recorrendo a parcerias com a investigação académica. Foi assim que nasceu, em
2006, o projecto Advanced Licence Plate Recognition (ALPR), que visava melhorar
a qualidade das imagens captadas nas praças de portagens sempre que um infractor
passava na praça sem efectuar o devido pagamento. E o resultado foi notório. Se
antes apenas cerca de 50% das imagens captadas permitiam a correcta
identificação do veículo infractor, a implementação do projecto ALPR permitiu
subir esse índice para 95%, o que, naturalmente, teve reflexos imediatos na
facturação da empresa. E a posterior melhoria do projecto com sistemas de
inteligência artificial, que permitem o reconhecimento automático dos caracteres
das matrículas, incrementou ainda mais o valor de todo o projecto.
Mas um projecto não se esgota em si mesmo e permite adaptações a muitas
outras finalidades. A tecnologia desenvolvida para o ALPR foi, mais tarde,
aplicada no Projecto Scruarm, que recorreu à captação de imagens à entrada e
saída das auto-estradas para implementar projectos de prevenção e detenção de
fraudes. As imagens de definição melhorada permitiam identificar infractores com
esquemas organizados para tráfico ou manipulação de títulos de viagem, o que
impacta positivamente nos cofres da empresa e combate um dos fenómenos de
criminalidade nas estradas.
A investigação académica continuará a marcar presença na Brisa Inovação, à
semelhança do que acontecia quando os projectos decorriam no seio do
departamento de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico. Aos laboratórios
próprios instalados no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), na
Universidade de Coimbra e na Universidade de Aveiro, juntam-se parcerias
estabelecidas pontualmente com o Instituto Superior Técnico de Lisboa, com a
Universidade Nova de Lisboa, com a Faculdade de Engenharia da Universidade do
Porto e com a Universidade do Minho. Foi precisamente de um projecto
laboratorial em ambiente académico, da Universidade de Coimbra, que saiu todo o
conceito de Detecção Automática de Acidentes (DAI). O projecto, de grande
complexidade, prevê a detecção e accionamento automático de meios de socorro em
caso de acidente, com recurso às mais de 500 câmara espalhadas por toda a rede
Brisa.
A experiência decorre actualmente com uma dezena de câmaras e brevemente
deverá ser alargada, já por iniciativa da nova empresa Brisa Inovação, que
concentrará as áreas de investigação, desenvolvimento, produção e instalação,
logística e manutenção.
EUA RENDIDOS À TECNOLOGIA DA BRISA
Promover a comunicação entre veículos e entre estes e a auto-estrada é o duplo
objectivo do Programa Vehicle-Infrastructure Integration (VII), que a Brisa está
a desenvolver em parceria com a Universidade de Aveiro e o ISEL.
A comunicação é estabelecida por um sistema inovador que funciona na
frequência 5.9 Ghz, uma tecnologia ainda pouco desenvolvida na Europa e Estados
Unidos da América e cuja investigação e desenvolvimento estão a ser liderados
pela Brisa. A Universidade de Aveiro desenvolveu o sistema de comunicações, bem
como o hardware programável e o sistema operativo, enquanto o ISEL estudou a
radiofrequência e os sistemas de informação.
Entre outras aplicações, a tecnologia 5.9 GHz DSRC permite criar alertas em
caso intersecção de veículos e capotamentos, evitando colisões, antecipa a
aproximação de curvas de velocidade reduzida e activa a sinalização de
emergência em caso de travagem brusca. O sistema permite ainda a recolha de
informação para a cobrança posterior de taxas de portagem.
Esta tecnologia foi já demonstrada no âmbito da Omniair, entidade que envolve
autoridades governamentais, fabricantes de automóveis, operadores rodoviários e
empresas tecnológicas. É, aliás, a própria Omniair que está já a preparar um
projecto de candidatura a subsídios junto das autoridades governamentais
norte-americanas para o financiamento do projecto.